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Foto: O Sul

Embora seja um projeto relativamente recente, prestes a completar um ano de funcionamento, o Blanc é um sonho antigo. A ideia surgiu há aproximadamente 10 anos, mesmo que ainda não como Blanc — era outra coisa, uma espécie de embrião.

O que começou com a vontade de expandir o centro clínico da minha clínica, a Silhouette, acabou crescendo e tornando-se um grandioso projeto. Para a expansão, que era o objetivo naquele momento, eu decidi realizar um estudo, contratando uma empresa para estudar comigo e fazer todo o plano de negócios. Em meio a isso, ao estudar e mergulhar a fundo no mercado, percebemos que deveria ser algo maior. A clínica não seria o adequado e nem o suficiente.

Iniciamos com a hipótese de um “hospital dia”, e esta, por fim, foi evoluindo até que se tornou o projeto que temos hoje idealizado. Com o surgimento do Medplex Santana, decidimos que o hospital não deveria ser em outro lugar.

E assim, ao lado de Charles Berres e Felipe Ducati, que na época ainda estava no setor imobiliário e comercializava o projeto do Medplex, fomos polindo e engrandecendo cada vez mais o que seria esse hospital. Ao mapear as possíveis fraquezas de um “hospital dia”, percebemos que a cidade necessitava de um projeto maior. O Blanc não seria um “hospital dia”, mas um hospital modelo, e assim surgiu o hospital especializado em cirurgia o primeiro do Brasil.

Um projeto único

Com o nosso escopo definido, fomos buscar referências nos hospitais estadunidenses, que já trabalham com este tipo de modelo há um bom tempo. As cirurgias nos Estados Unidos são feitas, entre 30% e 40%, nesse modelo de hospital e não em hospitais gerais. Esse “olhar para fora” foi apenas a confirmação de que o que estávamos construindo era o caminho certo. Era isso que estava acontecendo e a tendência era essa — lá, dez anos atrás.

Entendemos então que, além de oferecer um serviço específico, deveríamos apresentar ao estado um novo modelo de saúde. E foi justamente na desospitalização que encontramos isso. A desospitalização é um modelo de gestão e operação focado no conforto e bem estar daqueles que habitam o espaço do hospital — desconstruindo a imagem de hospital tida tradicionalmente, que é carregada de aspectos “negativos” e pesados. Este é um dos grandes diferenciais do Blanc Hospital, porque preocupa-se em oferecer aos médicos, pacientes, familiares, colaboradores, uma experiência diferenciada.

Para entender melhor sobre a desospitalização e seus benefícios, recomendamos a leitura destes dois artigos:

É justamente esta experiência diferenciada que nós carregamos no nome do hospital. Discutimos bastante qual seria o nome desse projeto, e nossos critérios foram que fosse um nome simples, fácil de falar e que remetesse à saúde, medicina, cirurgia… O nome deveria unir sofisticação e elegância, sintetizando as qualidades que buscamos para o hospital. Por isso Blanc. Apesar de ser “branco” em francês, tem a pronúncia fácil, é um nome curto e ainda lembra médico, hospital, jaleco. Ele acabou unindo tudo e, hoje, já virou um conceito.

Os impactos do Blanc Hospital

Temos muito orgulho do projeto do Blanc Hospital, principalmente porque ele gera impacto positivo pra cidade. Em primeiro lugar, porque aumenta a capacidade de atendimento em saúde. E, além de beneficiar a cidade, presta um grande serviço para a saúde, porque vai modificar e baratear os custos na área a longo prazo.

Os benefícios se apresentam não somente no que tange à cirurgia em si, mas também no fato de contemplarmos uma ampla gama de especialidades cirúrgicas atendidas por planos de saúde. Logo, o Blanc também expandiu a rede de atendimento para plano de saúde. E, nesse quesito, estamos encabeçando um plano de modificar a relação com os planos de saúde — o que será uma “semente” não só para a cidade, mas para a região e até para as outras regiões do país em que iremos atuar.

Nosso objetivo é carregar pelo Brasil um modelo diferente de negociação com o plano de saúde, no qual se tenha exatamente o que os planos de saúde estão buscando. São dois fatores principais: o primeiro é dar previsibilidade de custo, e o segundo é que a operadora de saúde não assuma o risco, mas sim que os prestadores assumam o risco de não dar certo aquele previamente “pacote fechado”. Assim, inverte-se um pouco a lógica.

De médicos para médicos

Para a comunidade médica, acredito que os benefícios sejam ainda maiores. A começar pelo fato de termos um centro cirúrgico de ponta. Em Porto Alegre, tem-se excelentes hospitais — grandes hospitais modelo — mas aqui no Blanc temos um centro cirúrgico todo pensado, desenhado para funcionar bem.

Além disso, resgatamos dentro do centro cirúrgico a importância do médico. O drive do centro cirúrgico está voltado para a cabeça do médico, para como funciona o trabalho dele e para facilitar o seu trabalho. E não apenas durante o trabalho, mas durante o intervalo dele. No Blanc, o médico encontra conforto quando está entre uma cirurgia e outra! Há espaço de descanso e toda uma área especificamente pensada para o bem-estar do médico.

Enquanto médico, posso dizer que isso é algo que se perdeu ao longo do tempo. Por isso queremos resgatar e melhorar as condições de trabalhos para os médicos, o que acaba melhorando, por conseguinte, o fluxo de trabalho.

Esse é um caminho sem volta: outros hospitais já estão fazendo movimentos nesse sentido, e isso vai acabar, no médio prazo, sendo proliferado em toda a estrutura. Os médicos vão exigir que esse se torne o padrão. É uma referência.

Próximos passos

O Blanc Hospital tem um projeto de expansão que vai contemplar, além da Zona Norte de Porto Alegre, grandes cidades do Brasil, como São Paulo.

Então, no que tange as melhorias no projeto, há algumas coisas que vamos complementar, porque percebemos ao longo desse primeiro ano que nossa capacidade de produção é maior do que inicialmente pensamos.

Temos estrutura para fazer cirurgias mais complexas e temos planos de aumentar a complexidade da estrutura de suporte do hospital, bem como queremos aumentar áreas de internação, acrescentar áreas como endoscopia e, talvez, ter estrutura para neurocirurgia — nesse sentido, estamos desenvolvendo algumas parcerias.

Na realidade, vamos sofisticar esse ambiente cirúrgico e expandir para as outras áreas que anteriormente não podíamos — até por termos, de certa forma, nos limitado inicialmente. As próximas unidades vão ser um pouco maiores. Certamente, na unidade de São Paulo, teremos uma área de internação muito maior e algumas outras especialidades que, atualmente, não temos no Blanc Hospital inserido no Medplex Santana.

 

Rodrigo Wobeto, cirurgião plástico e sócio do hospital cirúrgico Blanc Hospital